Rastreio por FIT

O cancro colorretal (CCR) é um dos cancros mais frequentemente diagnosticados. As boas notícias são que a incidência e a mortalidade do CCR podem ser significativamente reduzidas em caso de deteção precoce.

Os testes imuno-histoquímicos fecais (faecal immunochemical tests, FIT) são não invasivos e podem detetar sangue invisível a olho nu nas fezes. Dada a sua simplicidade, os FIT são atualmente considerados a melhor opção não invasiva para rastreio do CCR.

Invista um bocadinho de tempo na sua própria saúde realizando o FIT para prevenir ou detetar precocemente o cancro do cólon. Para mais informação, visite a nossa página de internet “FIT no rastreio” www.fitscreening.eu/patients

Calendário Científico 2019 - Julho

1.Como é que os analisadores hematológicos da Série XN podem ajudar a detetar afeções dos eritrócitos? Detetando um valor de CHGM aumentado e iniciando, de seguida, a Aplicação CBC-O que proporá a realização de um esfregaço de sangue periférico, caso a classificação dos eritrócitos seja positiva.
Detetando um valor de CHGM aumentado e iniciando, de seguida, a Aplicação CBC-O que proporá a realização de um esfregaço de sangue periférico, caso a classificação dos eritrócitos seja negativa.
Detetando apenas um valor de CHGM aumentado.

Informação científica de suporte

A esferocitose hereditária (EH) é uma condição patológica que afeta os eritrócitos. Este distúrbio hereditário é causado por mutações nos genes responsáveis pela síntese das proteínas membranares, que se tornam disfuncionais e fazem com que os eritrócitos alterem a sua forma. Os eritrócitos anormais apresentam uma forma esférica em vez de exibirem uma forma em disco bicôncavo normal. A alteração da forma torna estes eritrócitos menos flexíveis e mais frágeis [1]. Estes esferócitos anormais são degradados no baço resultando em hemólise extravascular. A doença é mais comum entre as populações caucasianas europeias e norte-americanas e as populações japonesas com uma incidência de 1 em cada 5000 nascimentos, sendo que vários casos se devem a mutações espontâneas.

O quadro clínico da doença pode variar entre portadores sem sintomas a doentes com uma forma ligeira, moderada ou severa de EH. Os sintomas da doença são geralmente a icterícia, a esplenomegalia e, por vezes, a anemia. Os doentes podem desenvolver cálculos biliares devido à bilirrubina das células degradadas, que se acumula na vesícula biliar. Os indivíduos com uma forma moderada a severa de EH apresentam todas as características da forma moderada e, adicionalmente, anemia severa, que requer transfusões sanguíneas frequentes para repor as reservas de eritrócitos. Estes doentes também apresentam esplenomegalia severa e icterícia e possuem um risco elevado de desenvolverem cálculos biliares.

Os portadores da forma ligeira de esferocitose hereditária sem sintomas clínicos e com um historial familiar positivo constituem um grupo especial. Nestes indivíduos, podem ser observados resultados laboratoriais evidentes incidentais. O hemograma completo normal com um valor de CHGM (concentração de hemoglobina globular média) ligeiramente elevado tem uma relevância especial na identificação de determinados doentes com doenças da membrana dos eritrócitos, incluindo a EH. Nestes casos, a CHGM elevada pode ser o primeiro sinal indicador para a realização de um esfregaço de sangue periférico e a deteção de eritrócitos esféricos.

Gerir a CHGM aumentada na prática de rotina diária

Apesar da CHGM elevada ser um acontecimento bastante raro na prática laboratorial de rotina, tem de ser devidamente gerida. Poderá ser apenas um artefacto analítico ou referir-se a uma amostra verdadeiramente patológica. A medição de anomalias relacionadas com um ou mais dos seguintes parâmetros — eritrócitos, hemoglobina (HGB), volume globular médio (VGM) ou hematócrito (HCT) — conduz à obtenção de índices de eritrócitos anormais, em particular na CHGM. De facto, são várias as causas que conduzem a resultados falaciosos nas medições de eritrócitos, de HCT ou da HGB — por exemplo, a presença de anticorpos que causa aglutinação de eritrócitos (aglutininas frias) ou plasma

anormal (lipémico, hemolítico ou ictérico, ou proteínas anormais). No seu sentido genuinamente clínico, pode ser observada uma CHGM aumentada em casos de afeções adquiridas ou hereditárias. A desidratação conduz a uma modificação da homeostasia do volume dos eritrócitos. A perda de água gera um volume celular diminuído e uma concentração de hemoglobina aumentada [2]. Em casos raros, pode ser observada uma CHGM realmente aumentada devido aos eritrócitos desidratados em doentes com problemas iónicos severos ou naqueles que foram tratados com determinados fármacos [3].

O desafio do laboratório é determinar a causa da CHGM aumentada. O conceito CBC-O implementado no Extended IPU ajuda os laboratórios a resolver o problema causado pelas interferências nas metodologias tradicionais de medição do hemograma completo. Quando a CHGM está aumentada, o CBC-O assegura que é realizada automaticamente uma medição reflex no canal RET. Após a medição gerar os parâmetros óticos do canal RET, é aplicado um algoritmo específico [4] para identificar a causa geradora da CHGM aumentada (aglutinação fria, lipemia, hemólise, doença dos eritrócitos, etc.) e é proposta ao utilizador uma ação corretiva. Desta forma, o analista pode incluir no relatório o melhor resultado possível do hemograma completo. Como parte do conceito CBC-O, é calculada uma classificação dos eritrócitos (baseada nos parâmetros RET e FRC) e, caso seja positiva, é recomendado um esfregaço de sangue para observar a morfologia dos eritrócitos na amostra em questão. A classificação dos eritrócitos foi considerada como permitindo uma deteção altamente sensível de doença dos eritrócitos, podendo ajudar a acelerar o diagnóstico das afeções dos eritrócitos, como a esferocitose hereditária [4].

No caso de um rapaz de 14 anos de idade com dor abdominal severa, o hemograma completo que foi realizado num analisador Sysmex XN revelou uma anemia ligeira, contagens de leucócitos e de plaquetas normais e uma CHGM aumentada (Fig. 1).

Devido ao valor de CHGM aumentada, a Aplicação CBC-O foi acionada (Fig. 2) e a classificação positiva dos eritrócitos revelou que o valor da CHGM se encontrava realmente aumentado, podendo dever-se a doença dos eritrócitos ou a hemólise.

O plasma apresentava-se claro sem qualquer anomalia visível e, como se desconhecia se o doente tinha doença dos eritrócitos, o laboratório realizou de seguida um esfregaço de sangue periférico onde foram detetados eritrócitos esféricos (Fig. 3).

Gráficos

 

Referências

[1] Cotran RS et al. (2005) Robbins and Cotran pathologic basis of disease. Elsevier Saunders. p. 625. ISBN 0-7216-0187-1.

[2] Gallagher PG. (2013) Disorders of red cell volume regulation. Curr Opin Hematol. 20(3):201-7.

[3] Godon A et al. (2012) Automated hematology analysers and spurious counts Part 3. Haemoglobin, red blood cells, cell count and indices, reticulocytes. Ann Biol Clin (Paris). 70(2):155-68.

[4] Berda-Haddad Y et al. (2017) Increased mean corpuscular haemoglobin concentration: artefact or pathological condition? Int J Lab Hematol. 39(1):32-41.

Calendário Científico 2019

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