Rastreio por FIT

O cancro colorretal (CCR) é um dos cancros mais frequentemente diagnosticados. As boas notícias são que a incidência e a mortalidade do CCR podem ser significativamente reduzidas em caso de deteção precoce.

Os testes imuno-histoquímicos fecais (faecal immunochemical tests, FIT) são não invasivos e podem detetar sangue invisível a olho nu nas fezes. Dada a sua simplicidade, os FIT são atualmente considerados a melhor opção não invasiva para rastreio do CCR.

Invista um bocadinho de tempo na sua própria saúde realizando o FIT para prevenir ou detetar precocemente o cancro do cólon. Para mais informação, visite a nossa página de internet “FIT no rastreio” www.fitscreening.eu/patients

Calendário Científico 2019 - Abril

A luta contra a malária começa no diagnóstico

Como é que a deteção direta automatizada de eritrócitos infetados com malária pode apoiar a luta global contra a malária? A malária pode ser excluída caso um teste de diagnóstico rápido (TDR) da malária ultrassensível dê um resultado negativo
Caso não se observem eritrócitos infetados com malária numa revisão de um esfregaço de sangue periférico por microscopia ótica num doente febril, pode presumir-se que a causa da febre não tem origem na malária
A tecnologia automatizada XN-31 permite a quantificação rápida, exata e precisa de eritrócitos infetados com malária, facilitando, assim, a monitorização do decréscimo da carga parasitária e, como tal, da eficácia terapêutica após instituição da terapia antimalárica
Os TRD da malária podem ser utilizados eficazmente para monitorizar a resposta aos fármacos antimaláricos

Informação científica de suporte

A malária continua a constituir uma preocupação importante em termos de saúde pública a nível global, com mais de 3,2 mil milhões de pessoas em 91 países em risco de infeção[1]. O relatório mundial sobre a malária de 2017 da OMS revela que, após um período de notável sucesso no controlo global da malária, o número de casos voltou a aumentar e o progresso estagnou. Serão necessários todos os esforços para reverter esta tendência, contribuindo cada caso de malária evitado e cada morte prevenida para o impulsionamento global para a eliminação.

O diagnóstico precoce e exato é um aspeto crítico nos esforços para controlar a malária. A recomendação da OMS para todos os casos de suspeita de malária é a realização de um teste parasitológico, ou por microscopia ou através de um TRD, para evitar a realização de terapêutica empírica com base apenas em suspeitas, minimizando a exposição desnecessária aos fármacos antimaláricos.
A avaliação microscópica de um esfregaço de sangue periférico permite a visualização direta de parasitas nos eritrócitos infetados e constitui atualmente o padrão no diagnóstico. Contudo, é altamente subjetiva uma vez que o limite de deteção é largamente condicionado pelo nível de perícia e diligência do técnico de microscopia. Assim, a infeção malárica submicroscópica de baixa densidade passará despercebida na prática corrente, uma situação que afeta de forma desproporcional as grávidas. Para além disso, a malária não diagnosticada durante a gravidez acarreta um risco elevado de mortalidade, quer para a mãe, quer para o feto. 

Por outro lado, os testes rápidos de diagnóstico (TRD) imunocromatográficos são simples de utilizar e têm por isso larga difusão como testes isolados ou como complemento da microscopia.  Os TRD assentam na deteção indireta da malária, com base na presença de antigénios ou proteínas da malária [2]. Contudo, os TRD têm algumas desvantagens: não conseguem distinguir entre uma infeção aguda e uma infeção tratada recentemente; não são quantitativos, não podendo, como tal, ser utilizados para monitorizar a eficácia do tratamento; nem todos os TRD conseguem detetar todas as espécies do género Plasmodium; e não apresentam especificidade (pode ocorrer reatividade cruzada com outros antigénios, por exemplo, com o fator reumatoide) nem sensibilidade (comparativamente com a microscopia realizada por um perito). Prevendo uma maior proporção de infeções de baixa densidade, à medida que o controlo da malária progride e os países se encaminham para a erradicação, foram desenvolvidos TRD de elevada sensibilidade com a proteína 2 rica em histidina do P. falciparum (HRP2) como seu antigénio-alvo. Infelizmente, o benefício previsto da sensibilidade aumentada foi comprometido pela descoberta de mutações HRP2 no P. falciparum, o parasita malárico mais comum e mais letal. Consequentemente, quaisquer TRD baseados na HRP2 irão tornar-se menos eficazes, à medida que estas mutações se tornem mais prevalentes.

Como resultado do seu laser semicondutor com um feixe a 405 nm, que permite a deteção de partículas mais pequenas, o analisador hematológico automático Sysmex XN-31 consegue detetar e contar os eritrócitos infetados com malária (malaria-infected red blood cells, MI-RBC), para além dos parâmetros do hemograma completo padrão (CBC), através da utilização do princípio da citometria de fluxo por fluorescência. Os eritrócitos são parcialmente permeabilizados, permitindo a penetração do marcador de fluorescência que cora os ácidos nucleicos do parasita no interior das células infetadas. A intensidade da fluorescência luminosa lateral (side fluorescence light, SFL) e o sinal da dispersão luminosa frontal (forward scattered light, FSC) são apresentados graficamente no diagrama de dispersão da malária (M). O tamanho dos eritrócitos infetados e o conteúdo de ácidos nucleicos passíveis de coloração aumenta, à medida que as formas cíclicas se desenvolvem sequencialmente de trofozoítos e esquizontes durante o ciclo de vida assexuado. Da mesma forma, os gametócitos, que se formam após um estímulo ambiental para a reprodução sexuada, são identificáveis inequivocamente. Assim, o XN-31 classifica a infeção por malária em categorias numa amostra, por estádios do ciclo de vida, com base na SFL, refletindo a quantidade de ácidos nucleicos, e na FSC, traduzindo o tamanho dos MI-RBC. Os padrões do diagrama de dispersão diferem de acordo com as espécies Plasmodia, o que é utilizado pelo software do analisador para dar uma indicação sobre a espécie provável (P. falciparum ou outra). 

O analisador tem um limite de deteção baixo, de 20 parasitas/μl, bastante inferior ao dos TRD habituais e à microscopia do esfregaço de rotina (≥100 parasitas/μl [3]).

O analisador XN-31 é uma modalidade ideal para o reconhecimento preciso e rápida quantificação automática da parasitemia da malária, independentemente da perícia do operador e da espécie envolvida. Deteta diretamente o parasita e não qualquer dos seus subprodutos (tal como antigénios, hemozoína ou parasitas fagocitados no interior dos leucócitos) tornando-o mais adequado para a deteção da malária, comparativamente com os TRD e com outros métodos automatizados indiretos [4]. Para além disso, a determinação concomitante do hemograma completo é uma característica única, que fornece dados importantes para a correlação clínica.

Diagramas de dispersão

Resultados da análise, incluindo diagramas de dispersão, contagens de MI-RBC e a espécie; sinalização de eritrócitos para amostras infetadas do doente com a) P. falciparum (P.f) e b) P. ovale (outros). Os parasitas P. ovale foram confirmados microscopicamente.

Legenda:

SFL: fluorescência luminosa lateral (side fluorescence light, SFL); FSC: dispersão luminosa frontal (forward scattered light, FSC); pontos azuis: eritrócitos não infetados, plaquetas e outros resíduos; pontos encarnados: MI-RBC; pontos verdes e laranja: diferentes formas do ciclo de vida do P. ovale; pontos turquesa: leucócitos

Referências bibliográficas

  1. WHO. World malaria report 2018. Geneva: World Health Organization; 2018. www.who.int/malaria/publications/world-malaria-report-2018/en/.  
  2. Chotivanich K, Silamut K, Day N. Laboratory diagnosis of malaria infection ‒ A short review of methods. N Z J Med Lab Sci. 2007; 61:4-7.
  3. WHO. Policy brief on malaria diagnostics in low transmission settings. Geneva: World Health Organisation; 2014. https://www.who.int/malaria/publications/atoz/malaria-diagnosis-low-transmission-settings-sep2014.pdf?ua=1
  4. Pillay E, Khodaiji S, Bezuidenhout BC, Litshie M, Coetzer TL. Evaluation of automated malaria diagnosis using the Sysmex XN-30 analyser in a clinical setting. Malar J. 2019; Jan 22; 18(1):15. doi: 10.1186/s12936-019-2655-8.

Calendário Científico 2019

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